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domingo, 1 de fevereiro de 2009

Anatomia do inferno


Uma mulher contrata um homem, numa discoteca "gay", para ele ficar a olhar para ela. Ela ia matar-se, "porque é mulher". Ele salva-a, e a partir daí ela paga-lhe para ele olhar para aquilo que é proibido olhar. Não é ele um homem (o Homem) que não gosta de mulheres? Ela quer que ele olhe para os lugares dela (buracos, pêlos, fluidos menstruais), que são os da "obscenidade feminina" - como é estigma, como está escrito desde o Velho Testamento. São quatro dias, quatro noites, numa casa à beira de um penhasco. Ela (Amira Cassar) está em posição de aparente oferenda, sacrifício. Mas não, é ela que lhe faz a oferenda a ele (Rocco Siffredi), que o inicia, como Eva, outra vez, a Adão. Adão cai, "o que quer dizer que se eleva", diz a realizadora. A mulher possibilitou-lhe a "revelação". E é assim que "Anatomie de l'Enfer", que Catherine Breillat adaptou do seu romance "Pornocratie", constrói um espaço alternativo para o sagrado. Breillat, é já esse o seu figurino, é provocadora ("o que não quer dizer que faça filmes para provocar"). Para não variar, "Anatomie de l'Enfer" estreou em França e indispôs muita gente. Passou no Forum de Berlim, numa sessão única, completamente cheia, e, no fim, a realizadora felicitou o público por ter "aguentado" (sim, ela é quem melhor sabe falar do seu cinema, que é sobre "as coisas que todas as pessoas sabem mas não querem saber, mas não querem ver"). "Aguentado" o quê? Sexo e órgãos em grande plano, o que não é variação muito grande em relação ao seu trabalho anterior - Rocco Siffredi, actor porno, está disposto a enveredar por uma carreira dramática, mas ainda contribui com aquilo que lhe fez a fama; Amira Cassar despe-se, mas para as cenas mais "hard" (intromissão de objectos, etc.) foi dobrada, informa uma legenda. Desta vez há mais rituais, com batons, tubos e até um Tampax usado a servir de bebida quente (ele bebe o fluido dela). A mesma voz-off, pela própria Breillat, que tanto serve de enunciação do feminino como do masculino, despacha trivialidades ou esmera-se no literário. O todo é rarefeito, as palavras e os corpos ameaçam separar-se, mas não é difícil roçar o cabotinismo. E, no entanto..., a lógica do mito cria as suas leis, e não custa sermos atraídos para essa dimensão de fábula que toma conta do cinema de Breillat. Sim, passa por aqui qualquer coisa que tem a ver com o estremecimento da linguagem da intimidade e do conhecimento. É assim que agora se exorciza um fantasma que será sempre o da realizadora de "Romance", como ela assume: o Homem, aquele ser "que não gosta da Mulher".

Ficha Técnica
Direção: Catherine Breillat
Ano de Lançamento:
2004
Origem:
França
Gênero:
Drama
Duração: 77 min
Título Original: Anatomie de l'Enfer / Anatomy of Hell


Elenco:
Amira Casar
Rocco Siffredi
Alexandre Belin
Manuel Taglang
Jacques Monge
Claudio Carvalho
Carolina Lopes
Diego Rodrigues
João Marques

A ultima amante

A Última Amante” se passa na Paris do século XIX. O casamento da jovem Hermangarde causa um reboliço na aristocracia parisiense, já que o noivo é Ryno de Marigny, um jovem de péssima reputação que há anos mantém um romance com a cortesã Vellini, filha de uma duquesa com um toureador. Nos bastidores da aristocracia francesa, segredos, intrigas e traições cercam o casamento entre um jovem libertino, Ryno de Marigny, e a honesta Hermangarde, garota de classe e refinamento. Apesar do verdadeiro amor entre os dois, a corte considera imporvável que Ryno de Marigny conseguirá romper seu longo envolvimento passional com Vellini.

Ficha Tecnica
Títulos Alternativos: The Last Mistress / An Old Mistress / Une vieille Maitresse
Gênero: Drama
Duração: 104 min.

Origem: França
Ano de Lançamento: 2007
Diretor(es): Catherine Breillat
Roteirista(s): Jules-Amédée Barbey d'Aurevilly, Catherine Breillat


Elenco:
Asia Argento,
Fu'ad Ait Aattou
Roxane Mesquida
Claude Sarraute
Yolande Moreau
Michael Lonsdale
Anne Parillaud
Jean-Philippe Tesse
Sarah Pratt
Amira Casar
Lio
Isabelle Renauld
Léa Seydoux
Nicholas Hawtrey
Caroline Ducey



Romance

Jovem bonita e sexy vive série de encontros sexuais com estranhos, para vingar-se da indiferença e da frieza do marido que, apesar de dizer que a ama, a ignora sexualmente.
A história de Marie, uma mulher jovem e bonita casada com Paul, um modelo fashion e sem apetite sexual. Tudo parece ótimo, mas na cama nada vai bem. Paul simplesmente não toca na mulher há meses, prefere ver esportes na TV. Marie não se conforma com esse destino e vai à caça. Num bar, encontra um rapaz forte e em busca de sexo.

Ficha Técnica
Título Original: Romance X
Genero: Drama
Origem: França
Tempo de Duração: 84 min.
Ano de Lançamento: 1999
Direção: Catherine Breillat
Roteiro: Catherine Breillat
Produção: Jean-François Lepetit
Fotografia: Giorgos Arvanitis

Elenco
Caroline Ducey
Sagamore Stévenin
François Berléand
Rocco Siffredi
Reza Habouhossein
Ashley Wanninger
Emma Colberti
Fabien de Jomaron
Pierre Maufront
Antoine Amador
Roman Rouzier
Oliver Buchette
Emmanuelle N'Guyen
Nadia Latoui
Sylvie Drieu
Samuel Charter
Alexis Gignoux
Muriel Gregoire
Sebastien Jochmans
Emmanuel Salengro
Christian Poitrasson,
Roberto Malone
Steve Cox
Jean-Pierre Daniel,
Fovéa,
Bernard Garreau
Hervé P. Gustave
Kosta, Alain L'Yle,
Kevin Long
Karine Menachemoff
Angélique Poloss,
Salomé
Cédric Samson
Yamine Tamerhoulet
Caroline Virly

sábado, 31 de janeiro de 2009

Para a Minha Irmã

Anaïs tem 12 anos e a sua família descarrega nela os problemas, fazendo questão de a lembrar constantemente que ela é uma inútil obesa que não consegue parar de comer. A única relação decente que Anaïs mantém é com a sua irmã de 15 anos, Elena, apesar da maneira como esta a trata. Durante o Verão, as duas irmãs conhecem um estudante italiano que muda a normalidade das suas vidas, para inveja e desespero de sua tímida e gordinha irmã menor.

Ficha Técnica:
Títulos Alternativos: A ma soeur /A mia sorella! / Fat Girl / For My Sister
Diretor(es): Catherine Breillat
Roteirista(s): Catherine Breillat
Gênero: Drama
Duração: 93 min.

Origem: França, Itália,
Ano de lançamento: 2001)

Elenco:
Anaïs Reboux
Roxane Mesquida
Libero De Rienzo
Arsinée Khanjian
Romain Goupil
Laura Betti
Albert Goldberg
Odette Barrière
Ann Matthijsse
Pierre Renverseau
Jean-Marc Boulanger
Frederick Bodin
Michel Guillemin
Josette Cathalan
Claude Sese

Sex is Comedy

“Sex is Comedy” é uma homenagem aos actores em geral (impessoais aqui, sem nome), feita por uma realizadora real (Breillat) através de uma realizadora ficcional, Jeanne (Parrilaud), que tenta a todo o custo estabelecer uma relação de proximidade com e entre os protagonistas do seu filme (Colin e Mesquida).
A inspiração para este filme foi uma cena de sexo filmada anteriormente por Breillat no filme “A Ma Soeur!” (2001), que Mesquida também interpreta. Aqui Breillat centra o esforço de Jeanne na construção de uma cena semelhante, com dois actores cuja empatia é basicamente nula.
Numa abordagem apologética e autocrítica, Breillat desenha uma realizadora demasiado próxima de si mesma, retratando-a como egoísta, obsessiva e quase vampiresca na forma como tenta sugar a energia dos SEUS actores, exigindo-lhes tudo para além dos seus limites, num perfeccionismo tão exigente consigo como com os outros. No entanto, simultaneamente, o seu amor pelos actores é tremendo e muito superior à história que eles servem, estabelecendo-se uma relação estranhamente íntima, pautada de chantagens emocionais. Porque a confiança mútua, ainda que manipulada, é a única forma de se poder ir mais além, uma na sua criatividade e os outros na sua sensibilidade.
O filme de Breillat é lento, ao ritmo da angústia das indecisões, dos conflitos, da gestão de produção de cada detalhe de luz ou movimento. Este é um filme sobre um filme, onde Breillat utilizou a sua equipa de produção para fazer de equipa de produção. Mas, para além de um documentário que nos mostra os bastidores, aqui é-nos mostrado o que está para lá de cada pessoa: os seus medos, inseguranças, a sua abdicação, dedicação, o compromisso com o seu trabalho.
Mais do que tudo, este filme parece ser uma resposta de Breillat a críticas sobre a crueza com que ela filma o sexo, expressando a agonia (e não o voyeurismo) da concretização das suas ideias. Onde a intimidade de uma cena que a nós, espectadores, nos parece brutalmente invadida não é mais do que um grupo extenso de trabalhadores de uma indústria no seu quotidiano.
Esta obra um tanto narcisista é também uma referência ao cinema como máquina de ilusões, e onde o sexo, tal como quase tudo o resto, não passa de uma farsa. E, por um caminho por vezes extenuante mas com algum humor, Breillat conduz-nos à melhor parte do filme, o clímax final. A analogia com o orgasmo é inevitável...


Ficha Técnica
Título Original: Sex is Comedy
Gênero: Comédia
Duração: 96 minutos
Direção: Catherine Breillat
Produção: Jean
François Lepetit
Ano de Lançamento: 2002

Origem: França / Portugal


Elenco:
Anne Parillaud
Grégoire Colin
Roxane Mesquida
Ashley Wanninger