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terça-feira, 10 de março de 2009

Jesus - A História Real

Produzida pela rede inglesa BBC em parceria com o Discovery Channel, a minissérie Jesus - A História Real integra a categoria dos superdocumentários. Para confeccioná-la, foram gastos 2,5 milhões de dólares e consumidos três anos de trabalho. O programa recria os locais por onde Jesus passou dois mil anos atrás e chama a atenção por tentar reconstituir a verdadeira face do Nazareno. Graças ao computador, o documentário reconstrói a vida nas cidades e nos vilarejos visitados por Jesus, como Belém e Nazaré. O mesmo recurso é aplicado para apresentar o grande Templo de Jerusalém, destruído pelos romanos algumas décadas depois da execução de Cristo.
Episódios:
1. Os Primeiros Anos (The Early Years):
Viaje até Belém e visite a Igreja da Natividade, construída sobre o local onde Jesus teria nascido. Conheça novas teorias que podem explicar a existência da estrela de Belém. E veja fascinantes reconstituições computadorizadas das cidades onde Jesus passou a juventude.
2. A Missão (The Mission) :
Veja uma descoberta arqueológica surpreendente: um barco pesqueiro de madeira, que pode ter sido construído na época de Jesus. Especialistas decifram o significado da parábola do Bom Samaritano e de trechos do Sermão da Montanha. Além disso, efeitos especiais recriam o imponente Templo de Jerusalém e a cidade de Cafarnaum, onde Jesus viveu com os discípulos.
3. Os Últimos Dias (The Last Days) :
Saiba por que Leonardo da Vinci se enganou ao retratar a Última Ceia. Conheça um festival nas Filipinas onde pessoas são crucificadas por livre e espontânea vontade, e saiba como Cristo deve ter sido crucificado. Veja teorias que podem explicar a ressurreição. Especialistas dão uma nova face ao Messias: usando como ponto de partida o crânio de um judeu do século 1, reconstituem a cabeça de um homem que teria vivido na mesma época e lugar de Jesus.

Ficha Técnica
Titulo Original: Jesus - The Real Story
Gênero: Documentário
Duração: 50 min
Ano de Lançamento: 2001
Origem: Inglaterra

quinta-feira, 5 de março de 2009

O Terceiro Reich em Cores

Das dritte Reich - in Farbe (The third Reich - in color) Está aí um documentário fantástico. Documenta a vida na Alemanha de Hitler no período entre 1933 e 1945 e a guerra. É realmente assustador ver Hitler, seus oficiais, os corpos nos campos de concentração etc., que faz o olhar do regime de Hitler friamente realístico. Prestar atenção as massa-rituais dos Nazistas outra vez é uma experiência que você nunca esqueçe. Sendo uma produção alemão, é muito realístico e autêntico. Vale definitivamente dar uma olhada.
Existem duas apresentações para este filme.
a – Série de TV com dois capítulos chamada “The Third Reich in Colour (1999)”, do History Channel – (FRONT LINE) de 1 hora e 36 minutos de duração total.
b – O filme “Das Dritte Reich in Farbe” (1998) – da Spiegel TV, o original, de onde foram retiradas as cenas para a série citada no item “a”. Sua duração é 1 hora e 43 minutos – 7 minutos a mais. É este que apresento aqu.
Imagens do III Reich. Na memória de diversas gerações eram conservadas no clássico preto e branco. Mas, escondidos em arquivos de cinema e em coleções privadas, sobreviveram outros filmes. São documentos das atrocidades cometidas pelo exército alemão durante a guerra e da miséria existente no gueto de Varsóvia. A filmografia sob o mando criminoso de Hitler é uma horrível realidade.
Exemplo de relatos de cenas fora do comum:
“Desde a visita que fez à Exposição Universal de Paris, o indolente Webber quer mostrar que a mulher alemã é muito mais bonita que a mulher francesa. Eis a razão porquê Diana, a deusa da caça, e suas servas posam nuas de modo fora do comum para os padrões nazistas.”
Fonte: o próprio documentário.
Essa notável montagem feita a partir de filmes de coleções particulares e entidades estatais, filmados por soldados, por turistas, pelo próprio piloto de Hitler ou mesmo por Eva Braun inauguram uma nova era dos filmes coloridos em câmeras de 8 e de 16 mm. Muitos deles foram descobertos recentemente e remasterizados com tecnologia digital. Ficaram ocultos por quase 60 anos.
É chocante e emocionante. A guerra colorida é pior ainda. Não se trata de cinema americano ou europeu. É real.
Nenhum estudioso da II Guerra Mundial poderá deixar de assistir a esse filme. Nenhum jovem deverá deixar de tomar conhecimento das atrocidades cometidas para que isso não se repita.

Ficha Tecnica

Título Original: Das Dritte Reich - in Farbe /The Third Reich In Colour
Ano de Lançamento: 1998
Diretor: Michael Kloft
Genere: Documentary War

Origem: Alemanha
Tempo de Duração: 105 min

Elenco
Ion Antonescu... Himself (archive footage)
Martin Bormann... Himself (archive footage)
Eva Braun... Herself (archive footage)
Winston Churchill... Himself (archive footage)
Marlene Dietrich... Herself (archive footage)
Joachim Eggeling... Himself (archive footage)
Douglas Fairbanks Jr.... Himself (archive footage)
Friedrich Gehrke... Himself (archive footage)
Josef Goebbels... Himself (archive footage)
Hermann Göring... Himself (archive footage)
Rudolf Hess... Himself (archive footage)
Reinhard Heydrich... Himself (archive footage)

Heinrich Himmler... Himself (archive footage)
Adolf Hitler... Himself (archive footage)
Friedrich Hollaender... Himself (archive footage)
Alfred Jodl... Himself (archive footage)
Wilhelm Keitel... Himself (archive footage)
John F. Kennedy... Himself (archive footage)
Gottfried Kessel... Himself (archive footage)
King Victor Emmanuel III... Himself (archive footage)
Robert Ley... Himself (archive footage)
Ernst Lubitsch... Himself (archive footage)
Erhard Milch... Himself (archive footage)
Benito Mussolini... Himself (archive footage)
Erich Maria Remarque... Himself (archive footage)

Franklin Delano Roosevelt... Himself (archive footage)
Albert Speer... Himself (archive footage)
Joseph Stalin... Himself (archive footage)
Fedor von Bock... Himself (archive footage)
Wernher von Braun... Himself (archive footage)
Günther von Kluge... Himself (archive footage)
Walter von Reichenau... Himself (archive footage)
Joachim von Ribbentrop... Himself (archive footage)
Gerd von Rundstedt... Himself (archive footage)
Josef von Sternberg... Himself (archive footage)

Segredo de Brokeback Mountain - Amor e Intolerância

Segredo de Brokeback Mountain - Amor e Intolerância, Uma tragédia amorosa. A impossibilidade do encontro amoroso, impedida pela intolerância e pelo preconceito. O filme Brokeback Mountain surpreendeu o mundo com a história de dois cowboys que descobrem sua homossexualidade em um ambiente hostil. Os psicólogos Carlos Byington e Maria Helena Guerra mostram a oscilação entre a aceitação e a negação da homossexualidade nos personagens. O filme ilustra a realidade do amor gay e a resistência da sociedade e do próprio amante, em admiti-lo como parte do seu ser. Uma história em que os valores sociais acabam muitas vezes por aniquilar o indivíduo.

Ficha Técnica
Título Original: Segredo de Brokeback Mountain - Amor e Intolerância
Gênero: Programa de TV/Documentário
Diretor: ???
Duração: 46 minutos
Ano de Lançamento: 2008
Origem: Brasil

domingo, 1 de março de 2009

Life in the Freezer

Vida na inigualável Antártida revela padrões de história natural para rastrear o ciclo sazonal a partir do longo inverno de meses; quando a formação de gelo quase duplica na sua superfície, para breve o verão, quando a corrida à raça realmente esquenta. Feita pela BBC em conjunto com a National Geographic Society e Lionheart International Limited, Life in the Freezer fala sobre a vida dentro e ao redor da Antártida.

Fichan Tecnica
Título Original: Life in the Freezer
Diretor: David Attenboroug
Gênero: Documentário
Tempo de Duração: 60 min
Ano de Lançamento: 1993

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Stanley Kubrick - Imagens de Uma Vida

Este documentário é um tributo ao cineasta norte-americano Stanley Kubrick, dirigido por Jan Harlan, seu companheiro de trabalho em diversos filmes como O Iluminado, Barry Lyndon, De Olhos Bem Fechados e Nascido Para Matar.Após sua morte em março de 1999, aos 70 anos, amigos e colegas de trabalho falam de seus relacionamentos com o diretor que, embora preferisse viver sozinho, foi presença marcante na vida de diversas pessoas.Ao todo são cerca de 50 depoimentos de atores, roteiristas, diretores, produtores, equipe técnica em geral e familiares que falam sobre Kubrick. Depoimentos de grandes nomes como Steven Spilberg, Woody Allen e Sydney Pollock podem ser conferidos.O filme começa com um panorama da infância do diretor e seu precoce interesse pela fotografia, que o levou ao cinema. Todos os 16 filmes de sua carreira são abordados desde Fear and Desire, o primeiro, até De Olhos Bem Fechados, concluído poucos dias antes de sua morte.Diversas cenas inéditas de filmes caseiros e making offs de seus filmes podem ser vistos neste documentário, como por exemplo, Kubrick ainda criança tocando piano em sua casa.Stanley Kubrick: Imagens de uma Vida, fala também sobre os projetos idealizados pelo diretor mas que não foram concluídos, como Inteligência Artificial, que o próprio Kubrick pediu para Steven Spielberg dirigir.Além das entrevistas, os amantes da obra de Kubrick podem acompanhar toda a evolução do processo criativo do diretor, bem como informações sobre sua vida pessoal e a influência de suas experiências em seus filmes.

Ficha Tecnica
Título Original: Stanley Kubrick: A Life in Pictures
Gênero: Documentário
Diretor: Jah Harlan
Duração: 141 minutos
Ano de Lançamento: 2001
Origem: EUA

Elenco

Tom Cruise
Ken Adam
Margaret Adams
Brian Aldiss
Woody Allen,
Steven Berkoff
Louis C. Blau
John Calley
Milena Canonero
Wendy Carlos
Arthur C. Clarke
Alex Cox
Allen Daviau
Ed Di Giulio
Keir Dullea

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

O Sol, Caminhando Contra o Vento

1967/68. No Brasil pós-golpe militar e ainda antes do Ato Constitucional nº 5, mais conhecido como AI-5, nasce no Rio de Janeiro o jornal O Sol. Mesmo tendo vida curta, o jornal faz história representando o espírito da época. Através de material de arquivo, músicas e depoimentos de pessoas que participaram do jornal é mostrada a história da chamada "geração 68".
Diretora do extraordinário O sonho de Rose (1996), que retratava com humanismo e densidade cinematográfica as misérias humanas dum grupo de trabalhadores da terra sem-terra no Rio Grande do Sul, a cineasta Tetê Moraes volta a mostrar sua perícia como documentarista em O sol, caminhando contra o vento (2005). Dividindo a direção do filme com Martha Alencar, Tetê, falando aparentemente de sua experiência e de seus amigos como jornalistas do jornal alternativo “O sol”, de breve existência no período agudo da ditadura militar, expande, de maneira sensível e quase imperceptivelmente, o conteúdo das imagens de sua realização para um autêntico panorama de toda uma época da vida brasileira e também mundial; expondo-se como hino à excelência da geração que foi jovem na década de 60, O sol, correndo o risco da parecer reacionário aos olhos das gerações posteriores, edifica esta idéia de que foi mesmo naquele decênio que surgiram as cabeças mais revolucionárias do século XX; é uma idéia que sempre se poderá discutir fora do filme, mas dentro dele o espectador é convidado a partilhar das paixões únicas daquela geração; numa entrevista dentro do documentário, Chico Buarque de Holanda ameniza a responsabilidade das gerações atuais, aduzindo que a paralisia de hoje é determinada por sofisticados mecanismos de controle de que o indivíduo não tem controle; Carlos Heitor Cony, entrevistado mais cerimoniosamente como num gabinete de estudos, quer ver o sonho como inerente ao ser humano em qualquer geração: mas todo o desenvolvimento de um filme como O sol mostra que o sonho, tal como havia nos anos 60, já não existe, ou foi substituído por outros sonhos ou ilusões. O sol foi rodado basicamente durante uma festa comemorativa do jornal a que se refere, reunindo criaturas que de maneira variada participaram daquele ato jornalístico de rebeldia. Festa e esquerda gerou em determinada época a expressão esquerda festiva, como evoca com escondida ironia Chico Buarque. Era a esquerda dos artistas, de gente que cantava e poetava, contrapondo-se à esquerda ferreamente ideológica que se comportava como se o mundo fosse uma sala de aula marxista; mas O sol, mesmo tratando duma festa, não é um filme irresponsavelmente festivo, é alegre, canta a eternidade da juventude (talvez a única coisa eterna mesmo seja a juventude), mas se propõe como um autêntico tratado cinematográfico de um tempo histórico, de maneira muito mais consciente e profunda que Zuzu Angel (2006), a ficção de Sérgio Rezende bonita mas gordurosa. Centrando sua atualidade na festa que reuniu componentes do jornal “O sol”, o documentário de Tetê e Martha utiliza muitas imagens de arquivo que tornam o filme ainda mais apaixonante e às vezes dilacerante em suas indagações e perplexidades. Certos planos clássicos do cinema dos anos 60, como a lenta e agoniada descida escadaria abaixo do ator Oduvaldo Viana na pele de Marcelo no sombrio final de O desafio (1965), de Paulo César Saraceni; como uma cena de Terra em transe (1967), de Glauber Rocha, que aparece só como imponência musical barroca. Ou então Caetano Veloso ou Nara Leão cantando no auge de sua arte, um despojamento de gestos que parece provocativamente pré-histórico diante da parafernália dos pops de hoje, Caetano e Nara utilizavam muito mais a voz e o rosto que possíveis exageros corporais para interessar o público. Ou algumas cenas de rua tão terrível e nostalgicamente datadas: belas mulheres nas areias cariocas. Costurando com mestria sua realização, Tetê e Martha, ex-jornalistas, buscam uma associação sempre latente e sempre negada entre o jornalismo e o cinema; atrás das câmaras, estas duas mulheres lembram que uma das funções do jornal é pensar sobre filmes à luz da realidade (a atividade crítica) e uma das funções do cinema é encaminhar-se para o jornalismo (a relação vital possível num documentário). Por Eron Fagundes

Ficha Técnica
Título original: O Sol, Caminhando Contra o Vento
Gênero: Documentário
Diretor: Tetê Moraes
Duração: 90 minutos
Ano de Lançamento: 2006
Origem: Brasil

Elenco
Caetano Veloso
Gilberto Gil
Chico Buarque
Antônio Carlos da Fontoura
Antônio Pedro
Arnaldo Jabor
Arthur Poerner
Bete Mendes
Betty Faria
Carlos Lessa
Fernando Gabeira
Gilberto Braga
Helena Ignez
Hugo Carvana
Ivan Consenza de Souza
Íttala Nandi
Luiz Carlos Maciel
Márcio Moreira Alves
Nélson Rodrigues Filho
Orlando Senna
Ruy Castro
Tessy Callado
Vladimir Palmeira
Adolfo Martins
Ana Arruda Callado
Carlos Castilho
Carlos Heitor Cony
Fernando Duarte
Reynaldo Jardim
Ricardo Gontijo
Ziraldo
Zuenir Ventura
Daniel Azulay
Dedé Veloso
Jorge Pinheiro
José Ribamar Bessa
Luiz Carlos Sá
Maria José Lourenço
Nélson Hoineff
Rosiska Darcy de Oliveira

Língua - Vidas em Português

Todo dia duzentas milhões de pessoas levam suas vidas em português. Fazem negócios e escrevem poemas. Brigam no trânsito, contam piadas e declaram amor. Todo dia, a língua portuguesa renasce em bocas brasileiras, moçambicanas, goesas, angolanas, japonesas, cabo-verdianas, portuguesas, guineenses. Novas línguas mestiças, temperadas por melodias de todos os continentes, habitadas por deuses muito mais antigos, e que ela acolhe como filhos. Língua da qual povos colonizados se apropriaram e que devolvem agora, reinventada. Língua que novos e velhos imigrantes levam consigo para dizer certas coisas que nas outras não cabe. Toda noite, duzentas milhões de pessoas sonham em português. Algumas delas estão neste filme.Em quatro continentes, trechos do cotidiano de pessoas de várias idades, origens, classes, fés e culturas, são recortados e costurados em ordem cronológica. Durante três dias, atravessamos cidades e sentimentos de muitos tons. Encontramos, flagramos, seguimos, acompanhamos e largamos personagens em trânsito por vários mundos econômicos, espirituais e pessoais.
A língua portuguesa é o veículo para falar do cotidiano de pessoas que vão de um camelô de rua ao prêmio Nobel de Literatura. Uma narrativa de ações paralelas e muitos personagens, cujas histórias se entrelaçam no decorrer de alguns dias. Alguns personagens cruzam todo o filme, outros têm aparições breves, sempre num movimento gerado pelos seus deslocamentos que conduzem o documentário por cada um desses lugares.
Ao amanhecer, um padeiro entrega pão na Índia, um motorneiro inicia o dia de trabalho de um velho bonde em Lisboa, um rapaz vende balas num ônibus do Rio de Janeiro, um escritor embarca num avião rumo a uma ilha em Moçambique. Manhãs paralelas, tardes simultâneas, crepúsculos e noites em todos esses lugares.
Um documentário-fluxo. Ao mesmo tempo um filme simples, um filme feito de conversas. Hábitos e espaços re-ordenados por uma montagem de tempos e intensidades destas vidas em movimento.
Uma língua só está viva se for utilizada no dia a dia das pessoas que a falam. Um código para visões diversas do mundo e da vida. Apropriação diária do imaginário. Saramago nos contou: "não há uma língua portuguesa, há línguas em português". Este corpo espalhado pelo mundo.
Finalmente, cabe esclarecer que "Língua" não é só um filme sobre a língua portuguesa. "Língua" é também um filme que retrata sociedades multiculturais e o colonialismo em todos os tempos. Um documentário sobre o mundo nos cerca.

Ficha Técnica
Título Original: Língua - Vidas em Português
Gênero: Documentário
Duração: 105 min.
Ano de Lançamento): 2001
Direção: Victor Lopes
Roteiro: Ulysses Nadruz e Victor Lopes
Produção executiva: Renato Pereira e Suely Weller
Origem: Brasil

Elenco
José Saramago
Martinho da Vila
João Ubaldo Ribeiro
Mia Couto
Grupo Madredeus
Edinho

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

O Pasquim - A Subversão do Humor

Nos anos 70, jornalistas resolveram falar o que pensavam sobre política e cultura, no jornal mais bem-humorado do Brasil. Fizeram muito sucesso na classe média e foram perseguidos pelos governos.
Em 1969, ano particularmente duro no regime militar, surgiu no Rio de Janeiro "O Pasquim", tablóide que, com sua irreverência, humor e anarquia, daria uma nova roupagem e linguagem ao jornalismo brasileiro, uma forma mais coloquial à publicidade e causaria um forte abalo nos níveis da hipocrisia nacional. A TV Câmara conta no documentário "O Pasquim - a Subversão do Humor", através dos principais personagens desta história, como ele invadiu o Brasil, enfrentando a censura e a cadeia com o riso aberto, como se fosse mais uma das farras da turma de Ipanema. Em O Pasquim, Jaguar, Ziraldo, Sérgio Cabral, Luiz Carlos Maciel, Marta Alencar, Miguel Paiva, Claudius, Sérgio Augusto, Reinaldo, Hubert lembram como se escreveu esta página da nossa história e Angeli, Chico Caruso, Washington Olivetto e Zélio como ela foi determinante para as páginas seguintes. Ninguém ficou rico com a publicação, embora ela tenha vendido nos seus melhores tempos, entre 1969 e 1973, até 250 mil exemplares. Um volume acima do razoável, se lembrarmos que os jornais de tiragem nacional rodam hoje, mais de 30 anos depois, com toda a informatização, a facilidade de distribuição e as fortes campanhas de assinantes, cerca de 300 mil exemplares. A verdade é que o comportamento da chamada Patota do Pasquim era tão anárquico quanto o conteúdo do jornal. E o que ganharam gastaram entre prisão, brigas, festas e altas dosagens etílicas. Bem que os militares e a elite brasileira tentaram sufocá-lo diversas vezes e de formas variadas mas, quando conseguiram, ele já havia disseminado uma nova forma de comportamento nos meios de comunicação. Como diz Jaguar, a imprensa tirou o paletó e a gravata, ou, como diz Olivetto, passamos a escrever e nos comunicar com língua de gente, do povo.

Ficha Técnica
Gênero: Documentário
Diretor: Roberto Stefanelli
Duração: 44 minutos
Ano de Lançamento: 2004
Origem: Brasil

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Grandes Portugueses - Fernando Pessoa

Um dos maiores poetas da língua portuguesa, "argonauta das sensações verdadeiras", como certa vez proferiu num de seus poemas, Fernando Pessoa é o perito-mor nas sutilezas da escrita. Escreve com lucidez inabalável. Fernando Pessoa cria o seu próprio mundo,rico e ao mesmo tempo paradoxal de múltiplos múltiplos, com a criação dos heterônimos. Por meio disto, o poeta gerou, em torno de si, um mistério que perpetuou o seu nome "para perto de tudo e para nunca",parafraseando o aprendiz de Pessoa, Raul de Carvalho. Estejam claros que este documentário é apenas uma brevíssima demonstração biográfica desta potência, deste imortal titã da literatura.

Ficha Técnica
Título Original: Grandes Portugueses - Fernando Pessoa
Gênero: Documentário
Diretor: Ricardo Rezende
Tempo de Duração: 50 minutos
Ano de Lançamento: 2007
Origem: Portugal

"Deixei de ser aquele que esperava"

Deixei de ser aquele que esperava,
Isto é, deixei de ser quem nunca fui...
Entre onda e onda a onda não se cava,
E tudo, em ser conjunto, dura e flui.

A seta treme, pois que, na ampla aljava,
O presente ao futuro cria e inclui.
Se os mares erguem sua fúria brava
É que a futura paz seu rastro obstrui.

Tudo depende do que não existe.
Por isso meu ser mudo se converte
Na própria semelhança, austero e triste.

Nada me explica. Nada me pertence.
E sobre tudo a lua alheia verte
A luz que tudo dissipa e nada vence.

Elis - Saudades do Brasil

Em 1980, Elis Regina apresentou no Canecão no Rio de Janeiro, o show Saudade do Brasil, do disco homônimo, lançado em Abril de 80. Trata-se de um show grandioso, com arranjos geniais do mestre César Camargo Mariano, com uma banda fantástica incluindo o grande guitarrista Natan Marques.O show foi dirigido por Ademar Guerra, e o show mistura de forma sensacional um grupo de dançarinos e cantores de grande talento que faziam coreografias elaboradíssimas no decorrer do show, juntamente com a Elis cantando que em alguns momentos arrisca uns passos junto com a turma. Trata-se de um show grandioso, com momentos áureos, como a versão de "Aquarela do Brasil" do genial Ary Barroso, misturada com cantos indígenas, criando um efeito glorioso. Além de um repertório fantástico, incluindo "Redescobrir" do genial Gonzaguinha, "Alô Alô Marciano" da sua amiga-irmã a grande Rita Lee, numa versão que a Rita pirou(um pouco mais) quando ouviu.Enfim, um registro cinematográfico de um show histórico e grandioso, um show que nos traz profunda "Saudade do Brasil".

Ficha Tecncia
Título Original: Elis - Saudades do Brasil
Gênero: Documentário/Musical
Diretor: Ademar Guerra
Duração: 54 minutos
Ano de Lançamento: 1980
Origem: Brasil

Elenco
Elis Regina
César Camargo Mariano
Nathan Marques
E grandes artistas

Super High Me

Em 2004, Morgan Spurlock lançou Super Size Me, na tentativa de apresentar os malefícios dos lanches do McDonalds numa dieta de 30 dias com produtos da rede de fast-food.Agora, Doug Benson faz analogia com o projeto de Spurlock e lança Super High Me. Quase o mesmo acontece aqui, porém o objetivo é descobrir os reais efeitos da maconha no corpo humano no período de um mês, se consumida diariamente - o cineasta conseguiu uma permissão legal para consumir a droga por 30 dias para a realização do documentário.

Ficha Técnica
Título Original: Super High Me
Gênero: Comédia/Documentário
Origem: EUA
Tempo de Duração: 90 min
Ano de Lançamento: 2007
Direção: Michael Blieden

Jackson do Pandeiro - Arquivo N


Neste programa especial, é contada um pouco da história do maior ritmista brasileiro de todos os tempos, Jackson do Pandeiro,através de entrevistas e apresentações em vários programas da TV. O paraibano Jackson do Pandeiro foi o maior ritmista da história da música popular brasileira e, ao lado de Luiz Gonzaga, o responsável pela nacionalização de canções nascidas entre o povo nordestino. Pelas cinco gravadoras que passou em 54 anos de carreira artística estão registrados sucessos como Meu enxoval, 17 na corrente, Coco do Norte, O velho gagá, Vou ter um troço, Sebastiana, O canto da Ema e Chiclete com Banana.A história da sua carreira artística reforça a herança da influência negra na música nordestina - via cocos originários de Alagoas - que lhe permitiram sempre com o auxílio luxuoso de um pandeiro na mão se adaptar aos sincopados sambas cariocas e à música de carnaval em geral.Dono de um recurso vocal único, ele conseguia dividir seus vocais como nenhum outro cantor na música popular brasileira. Seu maior mérito foi de ter levado toda riqueza dos cantadores de feira livre do Nordeste para o rádio e televisão, enfim para a indústria cultural. Grandes nomes da MPB lhe devotam admiração e já gravaram seus sucessos depois que o Tropicalismo decretou não ser pecado gostar do passado da música brasileira, principalmente, a de raiz nordestina.O intérprete de uma música brasileira feita para dançar criou um estilo único de cantar. Nascido em Alagoa Grande, Paraíba, 31/08/19, numa família de artistas populares. Sua mãe, Flora Mourão, era cantora e folclorista de Pastoril e o batizou como José Gomes Filho o apelidou de Jack pelo sua semelhança física com um ator norte-americano de filmes de western dos anos 30, Jack Perry

Ficha Tecncia
Título Original: Jackson do Pandeiro - Arquivo N
Gênero: Documentário
Diretor: Rosa Magalhães
Tempo de Duração: 20 minutos
Ano de Lançamento: 2007
Origem: Brasil

Elenco
Jackson do Pandeiro
João Bosco
João do Vale
Dominguinhos
Carlos Malta
Gilberto Gil
Alceu Valença
Lenine

João do Vale: muita gente desconhece

Se Luiz Gonzaga é o rei do baião, João do Vale é o príncipe. O filme procura resgatar a história de um dos mais geniais compositores brasileiros, o maranhense João do Vale, a partir de depoimentos de contemporâneos ( Luiz Vieira, Miucha, Ferreira Gullar e outros) e mostra imagens raras do cantador nordestino no palco juntamente com Nara Leão, Chico Buarque, Gonzaguinha.

Ficha Tecnica
Título Original: João do Vale: muita gente desconhece
Gênero: Documentário
Diretor: Werinton Kermes
Tempo de Duração: 30 minutos
Ano de Lançamento: 2005
Origem: Brasil

Elenco
João do Vale
Luiz Vieira
Ferreira Gullar
Miucha
Chico Anysio
Rita Ribeiro
José Sarney
Roberto Farias
Marcio Pascoal

Elis e Tom

Em 1974, Elis Regina completava 10 anos na gravadora Phillips e a gravadora deu de presente a ela um encontro com Tom Jobim em disco. Os dois já se conheciam desde de quando o Tom compôs "Águas de Março" e foi até a casa da Elis, dizendo "Elis, nem o Synatra mereceu uma dessa." As gravações desse disco antológico ocorreram em Los Angeles em 1974, e é exatamente este o cenário dessa jóia transcendental de beleza e grandiosidade artística incomensurável. Nas palavras de Elis:"Foram momentos vividos por duas pessoas muito tensas que só conseguem se descontrair através da música. Ficou a saudade de um passado recente, em que as cores eram outras e as pessoas mais felizes."As palavras proféticas da Elis traduzem de forma pungente as emoções que sentimos ao assistir esse espetáculo único de musicalidade, sensibilidade e beleza registrado nesse documentário magistral produzido pela Tv Bandeirantes e dirigido por Roberto Oliveira.Um tempo em que a música popular brasileira esbanjava luz, majestade e grandiosidade. Elis e Tom é uma obra eterna que merece ser vista, ouvida, sentida e estudada em profundidade, pois é de uma importância e força incalculável, um retrato puro e transcendental da Alma Brasileira.

Ficha Tecnica

Titulo Original: Elis & Tomi
Gênero: Documentário/Musical
Diretor: Roberto de Oliveira
Duração: 51:00 minutos
Ano de Lançamento: 1974
Origem: Brasil/EUA

Elenco

Elis Regina
Tom Jobim
César Camargo Mariano
Luizão
Paulo Braga
Oscar Castro Neves
Aloysio de Oliveira
Chico Batera
Bill Hitchcock

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Brasileirinho


Documentario musical dirigido por Mika Kaurismaki que mostra a historia e a vitalidade do choro, reunindo importantes nomes do genero, tais como: grupo Trio Madeira Brasil, Paulo Moura, Yamandu Costa, Ze da Velha e Silverio Pontes, entre outros.
No fim do século 19, no Rio de Janeiro, os músicos pararam de compor e tocar no estilo europeu para misturar melodias européias a ritmos africanos, gerando o choro. Aos poucos, o gênero ganhou espaço nos salões de dança e nos palcos de teatro, sendo considerado a primeira expressão musical da emergente classe média da cidade.
Documentário musical aclamado pelo público e pela crítica em mais de 30 países, Brasileirinho mostra a história e a vitalidade do choro, a primeira música urbana genuinamente brasileira. O filme gira em torno do grupo Trio Madeira Brasil, formado por Marcello Gonçalves, Zé Paulo Becker e Ronaldo Souza, que durante uma típica roda de choro propõe o projeto de um grande concerto em comemoração do Dia Nacional do Choro reunindo importantes nomes do gênero e alguns convidados especiais. O diretor Mika Kaurismäki acompanha os músicos durante os ensaios, em shows diversos e em casa, relembrando histórias do choro, cantando e tocando de forma apaixonante.

Ficha Técnica
ítulo Original: Brasileirinho - Grandes Encontros do choro
Origem: Brasil / Finlândia / Suíça
Gênero: Documentário / Musical
Tempo de Duração: 90 minutos
Ano de Lançamento: 2007
Direção: Mika Kaurismäki

Elenco
Teresa Cristina
Paulinho da Viola
Admilde Fonseca
Zezé Gonzaga
Paulo Moura
Luciano Rabelo
Elza Soares
Marcos Suzano
Trio Madeira Brasil
Yamandu

A Casa do Tom - Mundo, Monde, Mondo

Filme de Ana Jobim conta a história de amor de Antonio Carlos Jobim com a música, a família e a natureza.
Esse negócio de entender de uma coisa, tem que amar. Quando você ama, isso cria uma capacidade. Você se interessa pela coisa, você começa a olhar". A frase de Tom Jobim foi tão bem entendida por Ana, sua mulher durante 17 anos, que ela lança agora um DVD, pela Jobim Biscoito Fino, com sua história de amor com o maestro, com a família e com a natureza que aprendeu a ver pelos olhos de Tom e tão bem registrou em fotos, publicadas em diversos livros sobre o compositor. Narrado pela própria Ana Jobim, tem como fio condutor o poema Chapadão, que Tom começou a escrever quando escolheram o terreno no alto do Jardim Botânico para construírem sua casa: "A casa levou quatro anos para ficar pronta e o poema, oito", conta ela no DVD. Ao todo são 24 músicas, algumas com participações (Dorival Caymmi, Chico Buarque, Maucha Adnet, a própria Ana Jobim, Danilo Caymmi, Paulo Jobim e a pequena Maria Luiza, acompanhando o pai em "Samba de Maria Luiza", além da célebre gravação de "Garota de Ipanema" com arranjo de Eumir Deodato e participação de Jerry Doggion (sax-alto), Ron Carter (baixo), Joe Farrel (flauta) acompanhando o piano de Tom. Nos extras, mais seis canções e dois poemas. Além de "Águas de Março", uma verdadeira homenagem a Dorival Caymmi ("Maracangalha", "Saudades da Bahia", "Suíte do Pescador" e "Maricotinha"), uma lembrança de Bororó ("Curare") e os poemas Chapadão e Oda a Rio de Janeiro, de Pablo Neruda.

Ficha Técnica
Título Original: A Casa do Tom: Mundo, Monde, Mondo
Origem: Brasil
Tempo de Duração: 58
Genero: Musical / Documentário
Ano de Lançamento: 2008
Direção: Ana Jobim

Fabricando Tom Ze


Documentário que retrata a vida e obra de um dos mais controversos Tropicalistas, cujo fio condutor é sua turnê pela Europa em 2005. O filme mistura diferentes formatos de vídeo, película e animação para mostrar uma detalhada visão do universo musical de Tom Zé, para o qual um baixo e um esmeril têm a mesma importância melódica. O filme conta com entrevistas de Gilberto Gil, Caetano Veloso, David Byrne e outros

Ficha Técnica
Título Original: Fabricando Tom Zé
Origem: Brasil
Gênero: Documentário
Tempo de Duração: 90 minutos
Ano de Lançamento: 2005
Direção: Decio Matos Jr.

Elenco
David Byrne ... David Byrne
Gilberto Gil ... Gilberto Gil
Neusa Marthins ... Neusa Marthins
Caetano Veloso ... Caetano Veloso
Tom Zé ... Tom

Cronicamente Inviável

Revoltar-se com a realidade pode causar diversos males à sua saúde e nenhuma solidariedade.Tendo como pano de fundo trechos das histórias de vida de seis personagens, o filme mostra a árdua tarefa de sobreviver física e mentalmente em meio aos caos da sociedade brasileira; dificuldade que atinge a todos independentemente da posição social ou da postura assumida. as situações abordadas têm como fio condutor um restaurante num bairro rico de São Paulo, cujo dono é um homem de meia idade, refinado e acostumado com as boas maneiras, mas ao mesmo tempo irônico e pungente. Um escritor que realiza um passeio pelo país, buscando compreender os problemas de dominação e opressão social. Um garçom que se destaca por sua descendência européia, aspecto físico, boa instrução e insubordinação. Uma rica carioca preocupada em manter o mínimo de humanidade na relação com as pessoas de classe mais baixa. Seu marido acredita na racionalidade como forma de tirar proveito da bagunça típica do Brasil. E a gerente do restaurante, uma pessoa cativante, com um passado encoberto pelas várias histórias que costuma contar para os amigos e os refinados clientes do restaurante.

Ficha Técnica
Título Original: Cronicamente Inviável
Origem: Brasil
Gênero: Drama/Documentário
Tempo de Duração: 103 minutos
Ano de Lançamento: 2000
Direção: Sergio Bianchi

Elenco
Cecil Thiré .... Luís
Betty Gofman .... Maria Alice
Daniel Dantas .... Carlos
Dan Stulbach .... Adam
Umberto Magnan .... Alfredo
Dira Paes .... Amanda
Leonardo Vieira
Cosme Santos
Zezé Mota
Zezeh Barbosa
Cláudia Mello
Rodrigo Santiago

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Joe Strummer - A alma do The Clash



Verdadeiro ícone da chamada geração Punk, Joe Strummer, o guitarrista e cantor principal dos The Clash, que durante algum tempo conseguiu sintetizar com a sua música e palavras a ansiedade de uma geração que se rebelava contra a apatia da sociedade britânica dos final da década de 70. A personalidade controversa, mas apaixonada e generosa de Strummer, inspirou Julien Temple, o autor de "The Filth & the Fury Sex Pistols O filme", a realizar um documentário onde se evoca e celebra a personalidade e o legado de Joe Strummer.Combinando uma criteriosa selecção musical, imagens de arquivo, filmes inéditos e depoimentos de amigos e admiradores de Strummer, Julien Temple consegue o feito raro de tornar viva e vibrante a personalidade profundamente humana do líder dos The Clash, que é aqui lembrada por gente tão diversa como os realizadores Martin Scorsese e Jim Jarmusch, actores como Johnny Depp, Steve Buscemi, John Cusack ou Matt Dillon, ou ainda Bono Vox.Um documentário imprescindível que, umas vezes nos comove, outras nos faz rir, mas onde conhecemos a evolução pessoal de um músico cujo talento tocou toda uma geração.
A idéia de que Strummer era não apenas maior do que a banda, mas também maior que a vida, impregna o filme, a ponto de os entrevistados não serem identificados na tela. O esforço de Temple não é de desmistificar o vocalista. Pelo contrário, na hora de mostrar brevemente a infância de Strummer, Temple reúne o que lhe convém: menciona que o pai era questionador (então o filho também seria), menciona a passagem pela Alemanha Oriental, onde Strummer escuta Elvis (que, portanto, vira uma referência no som), etc. O Futuro Está para Ser Escrito é um documentário de reforço do mito. O título, aliás, é tirado de uma frase tipicamente messiânica de Strummer.
Temple é ótimo na coleta de materiais, que ele ordena com competência em duas horas de filme sem encavalar a cronologia, mas o que importa de verdade é a sinceridade dos entrevistados. Juntando as peças é possível vislumbrar o verdadeiro Joe Strummer, um tipo agregador desde o tempo em que despontou no cenário alternativo de Londres à frente dos 101ers, mas descrito como covarde por mais de uma pessoa. Não covarde como sinônimo de injusto, mas de esquivo. Como todo moleque, Strummer queria apenas fazer parte de algo, e, talvez por isso, evitava conflitos. Não por acaso, o Clash ruiu quando Strummer se viu sozinho, no topo - a solidão do sucesso.
Explica-se então o formato que Temple utiliza para filmar seus entrevistados, todos em volta de fogueiras. O diretor entende essa necessidade de pertencimento, que está na essência do movimento punk. E daí as bandeiras penduradas, o discurso pela comunhão dos povos... Engraçado: desde sempre o punk foi visto como um avesso do movimento hippie, mas é o próprio Joe Strummer que assume no filme: "We're all hippies at heart" (no fundo somos todos hippies).

Ficha Técnica
Título Original: Joe Strummer: The Future Is Unwritten, Joe Strummer: O Futuro Está para Ser Escrito
Ano de Lançamento: 2007
Tempo de duração: 130m
Origem: Inglaterra
Diretor: Julien Temple
Genero: Documentário / Musical

Elenco
Documentário sobre o músico do The Clash tem depoimentos de Bono Vox, Johnny Depp e John Cusack, e muito mais
Brigitte Bardot... Herself (archive footage)
Bono... Himself
Steve Buscemi... Himself
Terry Chimes... Himself
John Cooper Clarke... Himself
John Cusack... Himself
Peter Cushing... Winston Smith (archive footage)
Johnny Depp... Himself
Matt Dillon... Himself
Tymon Dogg... Himself
Joe Ely... Himself
Dick Evans... Himself
Flea... Himself
Alasdair Gillis... Himself
Ian Gillis... Himself
Topper Headon... Himself
Mick Jagger... Himself (archive footage)
Jim Jarmusch... Himself
Mick Jones... Himself
Steve Jones... Himself
Anthony Kiedis... Himself
Don Letts... Himself
Bernie Rhodes... Himself
David Lee Roth... Himself (archive footage)
Joe Strummer... Himself (archive footage)

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

João Nogueira - Carioca suburbano, mulato e malandro



Curta metragem grandioso do Jom Tob Azulay, sobre o grandioso sambista e ser humano, compositor da nobreza do samba chamado João Nogueira, que aparece em cenas históricas e memoráveis, com participações hilárias de Sérgio Cabral, vascaíno doente, batendo um papo numa loja de discos com João Nogueira, flamenguista de nascença.Aparecem diálogos fantásticos com a famosa Tia Vicentina, imortalizada na música do Paulinho da Viola, "No Pagode Do Vavá""-Provei do famoso feijão da VicentinaSó quem é da Portela é que sabeQue a coisa é divina"João Nogueira além de ser um monstro sagrado do samba de raiz, foi um grande defensor dos direitos dos sambistas, criando o Clube do Samba, onde apresentavam-se grandes sambistas que não tinham acessos às gravadoras, e que tinham muito samba nas veias pra levantar muita poeira.Aparecem além de imagens de gravações no estúdio aparece o João com seu grande parceiro, o letrista genial Paulo César Pinheiro, numa roda iluminada de samba, cerveja,mocotó no fogo e muita alma no gogó e na malemolência de sambistas grandiosos, João porta-voz do povo esbanjando talento e luz cantando com o povo iluminado pela luz do samba puro e eterno.

Ficha Tecnica
Gênero: Documentário/Musical
Diretor: Jom Tob Azulay
Duração: 13 minutos
Ano de Lançamento: 1979


Origem: Brasil